Na segunda quinzena de março, a turbulência no mercado financeiro se intensificou diante da dificuldade do governo federal para articular a Reforma da Previdência no Congresso.

O estudo Big Data da SmartBrain sobre o comportamento dos fundos multimercados  entre os dias 15 e 27 de março foi o tema de reportagem do canal MyNews.

Em entrevista à jornalista Mara Luquet, o sócio- fundador da SmartBrain, Cassio Bariani, destacou que de 180 fundos multimercados analisados, 72% tiveram desempenho negativo, -0,04% a -7,67% e apenas 28% dos fundos tiveram rentabilidade positiva, entre 0,1% a 1,2%. A amostra da pesquisa considerou fundos abertos com mais de 500 cotistas e patrimônio acima de R$ 300 milhões.

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Cenário conturbado

Os agentes do mercado financeiro começaram o ano bastante confiantes com a agenda do novo governo focada em promover reformas e reaquecer a economia. Mas qual é a distância entre a intenção e a execução?

Na segunda quinzena de março, diversas dificuldades no cenário político tornaram o dia a dia dos investidores, assessores e dos gestores de recursos bastante desafiador.

Veja o timeline da crise:

Marco histórico de alta da bolsa: 18/03  - Ibovespa alcançou a marca de 100 mil pontos pela primeira vez.

20/03 – Provocação de Carlos Bolsonaro nas redes sociais. Em sinal de apoio ao ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, o filho do presidente, Carlos Bolsonaro, posta em rede social: “Por que o presidente da Câmara está tão nervoso?” Neste mesmo dia, o ex-ministro Moreira Franco, casado com a sogra de Maia, havia sido preso.

22/03 – Irritado com as provocações de Carlos Bolsonaro, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, anunciou que não articularia mais a Reforma da Previdência.

23/03 – Em viagem ao Chile, o presidente Jair Bolsonaro alfinetou Rodrigo Maia. Comparou o presidente da Câmara com uma “namorada” que quer ir embora. Ele disse que “tem político que não quer largar a velha política”.

25/03 – Ruídos na tramitação do pacote anticrime – Rodrigo Maia retarda a tramitação do pacote anticrime do ministro Sérgio Moro, que reclama via mensagem de celular que um acordo estava sendo descumprido. Maia vai a público e diz que o ex-juiz está “confundindo as bolas, sem entender de política, é apenas um funcionário do presidente Bolsonaro”

Ápice da crise

26/03

A tensão que já estava elevada devido à dificuldade de andamento da Reforma piorou após a decisão da Câmara dos Deputados de tornar o orçamento mais rígido. Em votação relâmpago, a Câmara aprovou em dois turnos a proposta de emenda constitucional que retira do governo o poder sobre o Orçamento.

- O ministro da Economia, Paulo Guedes, falta à reunião de CCJ para discutir Reforma da Previdência, alegando que seria mais produtivo comparecer quando um relator fosse nomeado.

27/03

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que não possui apego ao cargo político. Contudo disse que não será inconsequente ou irresponsável a ponto de “sair na primeira derrota”.

- A bolsa fechou em queda de 3,57% para 91,9 mil pontos, segundo maior recuo desde a greve dos caminhoneiros por causa da articulação política falha para a Reforma da Previdência. O dólar atingiu a maior cotação desde 1 de outubro de 2018, antes das eleições presidenciais – alta de 2,24% a R$ 3,954

- 29/03 – O presidente Jair Bolsonaro trata a crise como “página virada”, mas ainda tem obstáculos no Congresso.

- 03/04 – Paulo Guedes foi à CCJ falar da Reforma da Previdência. Ele discutiu com deputados da oposição. O Ibovespa caiu 0,94% a 94,4 mil pontos. O dólar fechou em alta de 0,57% a R$ 3,8774.  

De maneira geral, os agentes de mercado querem saber como se dará a Reforma e quanto do R$ 1 trilhão de economia com o sistema de previdência social que foi anunciado pelo ministro Paulo Guedes será “desidratado” no Congresso.