Ana Carolina Zogno
por Ana Carolina Zogno em 08 Julho 2021

Diante da oscilação do dólar, é preciso ter visão de longo prazo

Após uma sequência de meses com a escalada do dólar frente ao real,  deixando a moeda, por vezes, próxima aos R$ 6,00, finalmente o câmbio rompeu a barreira dos R$ 5,00 e passou a ser cotado próximo de R$ 4,90. Embora a cotação já tenha subido novamente, a moeda voltou ao patamar dos R$ 5,00, mas essa movimentação e, especialmente, a marca que não era atingida há quase um ano, gerou uma série de questionamentos entre investidores. O principal: com o dólar abaixo de R$ 5,00, está na hora de comprar? 

Em momentos de flutuação cambial, é muito comum que investidores façam essas perguntas para seus assessores e consultem economistas a fim de saber qual o melhor momento para comprar ou vender moedas. Entretanto, o fato é que ninguém, nem mesmo os economistas mais especializados, conseguem saber o que vai acontecer com o câmbio. 

Flutuação cambial é um tema muito complexo, até porque o valor das moedas é influenciado por diversos fatores. Assim, acertar o market timing é uma tarefa muito difícil. Normalmente vemos os investidores se comportando da seguinte maneira: quando o dólar está em um patamar baixo, digamos R$ 4,00, o investidor não compra porque acha que pode cair mais. Aí, a moeda sobe para R$ 5,00 e os investidores decidem esperar voltar para R$ 4,50 para, assim, poder comprar. Nesse meio tempo, a moeda acaba subindo para R$ 5,80 - e a partir deste momento, o investidor espera a cotação voltar para 5,00 para comprar. 

É sempre assim, um  jogo de sobe e desce que é dificílimo acertar.   

 

Mas então o que é importante?

Para todo tipo de investimento, o ideal é ter uma visão de longo prazo, pensar em uma  estratégia e saber diversificar. Ou seja, manter uma carteira de investimentos balanceada e de acordo com determinados objetivos. 

Em vez de apostar no sobe e desce das moedas, o investidor pode separar um percentual dos seus ativos para serem atrelados ao dólar - seja, por exemplo, em fundos cambiais, ETFs, BDRs ou, até mesmo, investindo no exterior em bonds ou quaisquer outros ativos. Essa estratégia é muito mais assertiva e sustentável do que tentar adivinhar a hora certa de comprar ou vender o dólar.

Por exemplo, se um investidor quer se proteger da variação cambial, ele pode definir que terá uma parcela de 10, 20 ou 30% de sua carteira atrelada  a ativos em dólar. Com essa diversificação, os rendimentos crescem em momentos de subida do câmbio. Por outro lado, quando o dólar cai, a variação acaba sendo diluída por ganhos em outros ativos - que compensam a queda de rentabilidade dos ativos atrelados à moeda estrangeira.

O principal, então, é ter uma estratégia bem definida e de longo prazo e para aqueles que buscam proteção cambial podem alocar parte da carteira em investimentos em dólar

É dessa forma que pensam os profissionais, como os gestores de patrimônio, que traçam estratégias, analisam os riscos de volatilidade e fazem alocações diversificadas para conseguir um retorno médio - pois, assim, as carteiras de seus clientes ficam consistentes com os objetivos e perfil de cada investidor.

 

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Postado por Ana Carolina Zogno Julho 8, 2021
Ana Carolina Zogno