Renda Fixa

Quando o CDI não é o CDI de fato

O CDI, referência para várias aplicações, nem sempre é o CDI de fato porque alguns bancos não usam a taxa média calculada pela Cetip.


No mercado financeiro brasileiro, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário) – que representa a taxa de juros média das operações interbancárias - entre os próprios bancos – é usado como parâmetro de rentabilidade de inúmeras aplicações, principalmente dos títulos e fundos de renda fixa.

Assim, grande parte do rendimento dos investimentos é comparado ao CDI em forma de percentual, por exemplo, 102% do CDI. Nesse universo, estão CDBs (Certificados de Depósitos Bancários), LCAs (Letras de Crédito do Agronegócio), LCIs (Letras de Crédito Imobiliário) e CRIs (Certificados de Recebível Imobiliário), entre outros.

Então, uma das maneiras de monitorar o retorno dos investimentos é prestar atenção na flutuação dessa taxa de referência. Parece óbvio, mas não é. Isso porque nem sempre o CDI é o CDI de fato. 

Os Certificados de Depósitos Interbancários, são registrados na Cetip, agora B3, que calcula a taxa a média diária das negociações e faz a sua divulgação. Assiim, a taxa DI-Cetip é a que serve como referência no mercado.

O problema é que algumas instituições têm adotado como parâmetro a taxa média diária das suas próprias negociações de certificados. Esse CDI é diferente da taxa DI-Cetip. Veja no exemplo abaixo, o que ocorreu quando o CDI de referência na precificação de um CDB não foi o divulgado pela Cetip:

Um investidor aplicou 5 milhões em um CDB a 102% do CDI, com vencimento em um ano.

Uma operação corriqueira no mercado financeiro. Passados alguns meses, quando foi checar o saldo de sua aplicação, constatou uma diferença.

Título: CDB do Banco X, com taxa de 102% do CDI
Data de emissão: 30/10/2015
Data de vencimento: 31/10/2016

Porém, no dia 31/11/2015, ao fazer o monitoramento do investimento, contatou a seguinte situação:

- Saldo no banco de R$ 5.053.288,90
- Saldo no sistema de R$ 5.053.819,20

Ou seja, uma discrepância de R$ 530,30. Se esperasse o vencimento, em um ano, essa diferença seria de R$ 7.500,00 ou 0,13% da taxa ao ano.

Ao ser questionada, a instituição justificou que a taxa utilizada para rentabilizar o CDB era o CDI calculado pela média de negócios da própria instituição e não o CDI divulgado pela Cetip.

Portanto, gestores de family offices e investidores precisam ficar atentos e acompanhar os retornos de suas aplicações de forma sistemática, checando se a taxa de referência é, de fato, a aceita pelo mercado: a taxa DI-Cetip. Atualmente, existem ferramentas que fazem esse tipo de controle automaticamente.

 

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