Fundos de Investimentos

Quero investir em Private Equity mas não quero correr o risco de um só fundo. É possível?

Começa a avançar no Brasil a modalidade fundo de fundos (FOF) de Private Equity, na qual investidores podem aplicar em cestas de fundos de participações.


Muitos investidores gostariam de aumentar a parcela de aplicações em alternativas diferentes como os fundos de Private Equity - fundos de participações em empresas de capital fechado, mas são poucas alternativas. Além disso, quando encontram fundos que gostariam de investir, se deparam com o entrave de não possuírem o capital mínimo necessário, uma vez que nessa modalidade os aportes exigidos costumam ser bastante elevados.

No entanto, começa a ganhar espaço no Brasil a modalidade fundo de fundos (FOF) de Private Equity, na qual gestores especializados oferecem a oportunidade para investidores aplicarem em cestas desses fundos de participações.

Geralmente, esse tipo de produto exige aportes menores do que os fundos de Private Equity convencionais, mas a principal característica é que o FOF oferece maior diversificação, uma vez que investe em diversos fundos com um número maior de estratégias, empresas e setores.

Enquanto o segmento de fundo de fundos de private equity está iniciando aqui no Brasil, os Estados Unidos já possuem mais de 100 FOFs.

Por dentro dos FOFs

Para abordar esse assunto - fundos de fundos de Private Equity, nós da SmartBrain conversamos com Renato Abissamra, sócio da Spectra Investments, gestora que é uma das pioneiras nesse segmento no Brasil. Seu terceiro fundo está em fase de captação.

Segundo ele, cada fundo de Private Equity tem, em média, de cinco a oito empresas investidas seja nos fundos normais ou nos da categoria Distress, que investem em empresas em estágio de recuperação financeira. No caso de fundos de Venture Capital, que envolve negócios em estágio inicial, cada fundo possui entre 25 a 30. “Já os fundos de fundos ampliam a capacidade de diversificação, pois o leque sobe para cerca de 60 empresas investidas”, explica. Além da maior pulverização em quantidade de empresas, este tipo de fundo permite também balancear os investimentos entre as teses de investimento de Private Equity, Venture Capital e Distress e em vários setores como tecnologia, agronegócio, consumo e educação etc, comenta Abissamra, que acumula mais de 20 anos de experiência em gestão de patrimônio e com passagens pelos bancos HSBC e BNP Paribas. De acordo com ele, FOFs são estratégias que melhoram a relação entre o risco e retorno dos investimentos.

Hoje, com cerca de R$ 500 mil é possível investir em um FOF. Esse valor é bem menor do que o exigido em cada fundo de Private Equity, onde normalmente os aportes são de R$ 1 milhão a R$ 5 milhões. Lembrando que só podem investir em fundos de participações investidores qualificados – pessoas físicas ou jurídicas que possuem aplicações financeiras em valor igual ou superior a R$ 1 milhão, segundo a Instrução 578 da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Outro aspecto importante é que normalmente os investimentos em Private Equity precisam ser mantidos em carteira por cinco a sete anos. Esses costumam ser os períodos médios entre o momento que os fundos investem nas empresas e as vendas das mesmas. Portanto, trata-se de um investimento de longo prazo e baixa liquidez. No entanto, Renato Abissamra destaca que o mercado secundário também começa a se desenvolver no País e isto aumenta a liquidez desses fundos.

Rentabilidade

A Spectra, em parceria com o Insper, fez um levantamento sobre a performance da indústria de private equity no Brasil. Aqui vale o aviso: rentabilidade passada não representa garantia de rentabilidade futura, mas o estudo teve como objetivo compreender o mercado.

A pesquisa considerou uma amostra de 46 fundos captados entre 1990 e 2008 e que passaram pelo processo de desinvestimento. “O retorno foi de 22% a 30% ao ano para os investidores”, afirma o sócio da Spectra.

O mercado secundário

O mercado secundário, que praticamente não existia, deu alguns passos no País a partir de 2014. “As crises econômicas e o movimento de aversão ao risco estimularam o mercado secundário. Foi assim nos Estados Unidos a partir de 2008 e, mais recentemente, no Brasil, guardadas as devidas proporções”, comenta Abissamra.

De 2014 até hoje, a Spectra, a maior player nesse segmento, realizou 26 transações. “No total, o mercado secundário teve cerca de 35 operações no País desde 2014”, contabiliza.

De acordo com Renato Abissamra, se houver uma tendência de situação macroeconômica mais favorável, a dinâmica do mercado secundário se altera, pois se concentrará nos fundos de Private Equity em estágio final de vida. Nessa fase, a maioria das empresas já foram vendidas, porém algumas, não chegaram à maturidade e permanecem nos portfólios. “Compramos esses portfólios que têm duas ou três empresas remanescentes”, afirma.

Abissamra destaca ainda que os fundos de fundos de Private Equity permitem atuação híbrida entre os mercados primário e secundário, o que significa mais um fator de diversificação.

 

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