Henrique Garcia
por Henrique Garcia em 10 Junho 2021

Ambev, Suzano: carteira ESG tem rentabilidade maior que a da Bolsa

Sem dúvida, ESG, a sigla em inglês para questões ambientais, sociais e de governança, está cada vez mais em pauta. O conceito domina discussões no mercado financeiro e as buscas pelo tema, segundo o Google Trends, sobem exponencialmente desde abril do ano passado. Para muitos investidores, ESG é mais do que uma sigla e tem se tornado um filtro essencial para seus investimentos.

Olhando apenas para um tipo de investimento com critérios ambientais, sociais e governamentais, as emissões de títulos sustentáveis (também conhecidos como green ou sustainability bonds), saltaram de US$ 160 bilhões, em 2016, para US$ 255 bilhões, em 2019. No Brasil, esse tipo de emissão cresceu 52,1% em 2020 em relação ao ano anterior, chegando à marca de US$ 5,3 bilhões, de acordo com levantamento do jornal Valor Econômico, com base em dados da consultoria especializada em finanças sustentáveis Sitawi. 

A tendência continua sendo de crescimento. A agência Moody's Investors Service, por exemplo, espera que em 2021 as emissões mundiais de green bonds cheguem a US$ 650 bilhões. E o mercado de ações também surfa na onda do ESG, com cada vez mais gestoras usando esses critérios em suas análises e algumas, como Santander Asset e JGP, que passaram a adotar esses conceitos para analisar todos os ativos de suas carteiras de investimentos. Já outras gestoras, como a Itaú Asset, anunciam para seus clientes que 95% dos ativos passam por avaliação ESG.

A alta procura - e até preferência-  por empresas que focam nesse conceito não é só uma questão do velho "politicamente correto". Investir em uma carteira ESG já tem se mostrado melhor e tem performado acima  da Bolsa, segundo estudo feito pela Smartbrain com dados de cinco empresas premiadas na publicação Melhores do ESG, divulgada pela revista EXAME.

 

Carteira ESG rende 42% em um ano

Para avaliar o rendimento de aplicações em empresas ESG, foram selecionadas cinco empresas da publicação Melhores do ESG divulgada pela revista EXAME:  Ambev (ABEV3), EDP Brasil (ENBR3), Fleury (FLRY3), Movidas (MOVI3) e Suzano (SUZB3). 

Em nosso estudo, foi feita uma carteira simulada como se o investidor tivesse aplicado aproximadamente R$ 10.000 em cada uma das empresas ao fechamento da bolsa em 29 de maio de 2020. Em seguida, foi analisada a rentabilidade ao fechamento da B3 em 25 de maio de 2021.

Durante os meses analisados, a carteira com as cinco empresas do top ESG segundo a revista EXAME rendeu 42,27% no ano. Em comparação, o Ibovespa rendeu 40,71% no mesmo período. Isso mostra que as empresas ESG estão performando bem - ainda que não tão melhores que o Ibovespa.

O cenário não é diferente no exterior. Uma pesquisa do Morgan Stanley mostrou que fundos que seguiam critérios ESG tiveram desempenho superior a outros fundos no primeiro semestre de 2020, fomentando a ideia que empresas que investem em melhores práticas ambientais, sociais e governamentais podem ser mais resistentes a crises. 

Apesar disso, critérios ESG não são os únicos a serem usados na hora de montar um portfólio de ações. Usar estudos fundamentalistas e fazer as análises tradicionais das empresas, para além de suas políticas ESG, são passos essenciais na hora de montar sua carteira de ações.

Ambev, Suzano: carteira ESG tem rentabilidade maior que a da Bolsa

A importância de um portfólio diversificado

Além de fazer as análises e estudos fundamentalistas, é essencial que a carteira de ações de um investidor (seja ele pessoa física ou uma gestora) seja diversificada. Adotar critérios ESG como um filtro para investimentos, porém, não significa necessariamente ter apenas um tipo de empresa no portfólio. Afinal, empresas de quaisquer setores podem seguir os critérios ESG.

No caso das empresas selecionadas para o estudo de rentabilidade, por exemplo, há desde famosas produtoras de bebidas a empresas de papel e laboratórios de diagnósticos. Mesmo tão diferentes, todas tomaram atitudes que, segundo o levantamento da EXAME, as colocam como as melhores do ESG. 

Por exemplo, a Ambev se destacou por gastar mais de R$ 500 milhões em projetos de impacto, como recuperação de nascentes de rios e florestas, e R$ 150 milhões em ações de combate à COVID-19. Além disso, a fabricante de bebidas segue um plano de redução no consumo de água elaborado há quase 30 anos e que faz com que a empresa consuma 55% menos água em suas fábricas em relação a 2002.

No caso da Suzano, a gigante brasileira de papel e celulose, a empresa lançou um projeto de longo prazo que pretende reduzir as emissões de carbono em 15% até 2030 e aumentar em 50% a exportação de energias renováveis no mesmo prazo. 

Esses exemplos das Melhores do ESG trazidos pela EXAME mostram como qualquer empresa pode adotar metas que sigam critérios sociais, ambientais e governamentais. Os conceitos podem vir desde internamente, com compromissos de redução de emissões de carbono ou contratação de equipes mais diversas, por exemplo, até externamente, com investimentos em startups ambientais ou projetos de recuperação do meio ambiente.

Investir em companhias que sigam critérios ESG é seguir com a demanda cada vez maior do mercado - que já não aceita empresas irresponsáveis e não transparentes. Mas mais do que isso: é diversificar seu portfólio de investimentos com, além das análises tradicionais, fatores que prezam pela sustentabilidade do meio ambiente, social, de diversidade e de aspectos de governança com todos stakeholders. E empresas mais sustentáveis, a longo prazo  tendem a ser mais resistentes a riscos e podem até ser mais rentáveis.

 

Ambev, Suzano: carteira ESG tem rentabilidade maior que a da Bolsa

Postado por Henrique Garcia Junho 10, 2021
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