Daniela Rocha
por Daniela Rocha em 08 Setembro 2020

Fundos de ações: a lógica dos resgates em D+30, D+60 ou D+...

Muitos investidores ainda têm dúvidas ou não conhecem toda a lógica que está por trás dos diferentes prazos de resgate dos fundos de ações. Entre as perguntas mais frequentes: “Por que é possível resgatar em apenas um dia do fundo X, mas do fundo Y leva 60 dias?” ou “Por que demora tanto eu poder fazer o resgate do meu dinheiro?”


Primeiramente, em linhas gerais, o prazo para resgate depende da característica de cada produto. Assim, por exemplo, no caso dos fundos que visam replicar o Ibovespa, os seus gestores têm mais facilidade para fazer negociações no mercado - compras e vendas de ações para a carteira. Isso porque a maioria das ações investidas tendem a ser desse principal índice da Bolsa, que tem como critério de composição justamente companhias com alta capitalização e maior liquidez. Então, faz sentido que esses fundos também ofereçam prazos de resgate menores aos investidores e compatíveis com o prazo de liquidação de uma operação em Bolsa, no caso D+2 ou D+3.

Por outro lado, os fundos de ações que têm como objetivo superar o Ibovespa ou qualquer outro índice , ou seja, aqueles em que os gestores atuam de forma mais ativa para gerar alpha, como se diz no jargão do mercado, as condições são diferentes. Como atuam para oferecer rentabilidades acima do benchmark, suas carteiras tendem a ter uma participação diferente, com ações que não pertencem necessariamente ao índice de referência e portanto, menos líquidas. 

Outro ponto relevante é a tese de investimentos do fundo e o período necessário para a sua maturação. Por exemplo, um fundo com estratégia de retorno no longo prazo, precisa segurar suas posições por mais tempo até que os projetos das empresas investidas se consolidem, gerando o aumento das vendas e dos lucros. Neste caso, não faz sentido o gestor ficar operando muito – comprando e vendendo no dia a dia, pois o ganho do fundo virá com a valorização da ação no longo prazo e não no resultado de operações de curto prazo.

 

A gestão técnica da liquidez dos fundos

O gerenciamento da liquidez de um fundo depende de diversas análises técnicas. Esse trabalho é feito pelos administradores, que são responsáveis pelo back office, através de processos e sistemas que medem a viabilidade do fundo atender aos pedidos de resgate dos cotistas no dia a dia, bem como em caso de encerramento, de acordo com o prazo estabelecido no regulamento. 

Eles avaliam a situação de caixa, a posição de cada ação, sua liquidez média no mercado, quanto dias são necessários para se desfazer de uma determinada posição e, ainda verificam se o fundo está enquadrado, isto é, seguindo a estratégia de alocação, conforme a relação percentual da participação em cada ação. Caso os administradores encontrem algum tipo de desenquadramento da carteira, tanto em função das oscilações das cotações das ações quanto do fluxo de entradas e saídas de recursos, eles informam imediatamente os gestores para que façam os ajustes necessários. A dinâmica de movimentações diárias dos cotistas – aplicações e resgates, é monitorada de forma contínua. 

Enfim, é um trabalho que envolve uma série de cálculos e avaliações para que o fundo funcione de acordo com as regras estabelecidas em suas políticas de investimentos e liquidez. 

Hoje vemos algumas mudanças em curso diante da evolução do mercado acionário. Como falamos em um outro artigo, historicamente, a maior liquidez da Bolsa sempre foi uma característica das empresas tradicionais, as chamadas blue chips como a Petrobras (PETR4), a Vale (VALE3) e as ações dos grandes bancos, porém, atualmente, além delas, diversas outras companhias passaram a ser bastante negociadas devido ao crescente número de novos investidores na Bolsa, em um cenário de juros baixos no país. Seguindo essa tendência de maior giro dos papéis negociados, é possível que alguns fundos também passem a rever suas políticas de resgate, diminuindo os prazos. 

 

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Postado por Daniela Rocha Setembro 8, 2020
Daniela Rocha