Henrique Garcia
por Henrique Garcia em 18 Março 2021

Investidores reduzem fatia de ações e fundos de ações nas carteiras

Diante de um aumento do risco e da volatilidade do mercado, os investidores optaram por aumentar um pouco a parcela de renda fixa em detrimento da renda variável ao longo do mês de fevereiro. 

Segundo o estudo Big Data Smartbrain sobre alocação média das carteiras de investimentos, no mês passado houve uma diminuição da participação das ações e dos fundos de ações, de 15,15% para 13,57%. 


Os fundos multimercados continuaram representando a maior parcela dos portfólios, mas passando de 45,50% em janeiro para 44,86% no mês passado. 

Já a fatia de renda fixa – fundos da categoria e títulos do Tesouro e privados – aumentou de 29,81% para 31,56%. 

 

Retomando o contexto de mercado em fevereiro

Fevereiro teve fortes oscilações no mercado financeiro. O mês começou com a perspectiva positiva de que uma agenda de reformas seria destravada, após as eleições das presidências da Câmara e do Senado. Mas logo o clima voltou a ficar conturbado, principalmente devido às questões fiscais e aos ruídos políticos em torno das estatais. O Ibovespa teve uma queda de 4,37%, acumulando uma baixa de 7,55% no ano. 

Em meio às altas dos preços de combustíveis e ao risco de greve dos caminhoneiros, o presidente Jair Bolsonaro indicou o general Joaquim Silva e Luna para a presidência da Petrobras, no lugar de Roberto Castello Branco, o que aumentou a preocupação do mercado sobre a política de precificação que deverá ser adotada pela empresa. Após o anúncio dessa mudança de comando na Petrobras, houve apreensão sobre possível interferência no setor elétrico, que foi amenizada quando o governo entregou ao Congresso uma medida provisória que abre o caminho para a privatização da Eletrobras. Além disso, a decisão do presidente do Banco do Brasil, André Brandão, de colocar o cargo à disposição, também abalou a confiança dos investidores 

Por sua vez, as discussões sobre nova PEC Emergencial, com risco de ser fora do teto de gastos, ampliaram as incertezas no mês passado.  

Também pesaram negativamente o aumento de casos e de mortes por Covid, as medidas mais restritivas de atividades e de circulação de pessoas e o ritmo lento da vacinação, que impõem desafios enormes sobre a retomada da economia. 

No exterior, a alta dos juros soberanos dos Estados Unidos causaram uma dinâmica de aversão a risco. Os retornos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano de 10 e 30 anos, aumentaram. Esse movimento indica que o Federal Reserve poderá elevar a taxa de juros mais cedo, uma vez que a economia americana está se recuperando. 

Em fevereiro, o dólar subiu 2,25%, cotado a R$ 5,6017. No ano, a moeda americana acumulou uma alta de 7,90% ante o real. Já o Ifix – Índice de Fundos Imobiliários da B3, fechou em alta de 0,25% em fevereiro, com um avanço de 0,57% no ano. 

 

Composição média dos portfólios fevereiro/2021

 

Composição média dos portfólios fevereiro/2021

Fonte: Big Data Smartbrain

 

Carteira média em janeiro/2021

Carteira média em janeiro/2021

Fonte: Big Data Smartbrain

Com os novos desdobramentos da política e do cenário macroeconômico, continuaremos acompanhando a dinâmica dos investimentos e as estratégias adotadas.

Isso porque o Big Data Smartbrain mostra onde os investidores aplicam o dinheiro. É um termômetro do mercado.  

 

Investidores reduzem fatia de ações e fundos de ações nas carteiras

 

Postado por Henrique Garcia Março 18, 2021
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