Daniela Rocha
por Daniela Rocha em 10 Dezembro 2019

Onde investir quando seus títulos de renda fixa vencerem?

O Brasil foi chamado de “país da renda fixa”. Por muito tempo, a taxa básica de juros ficou em níveis muito altos. Há pouco mais de três anos, era de 14,24%. Para se ter uma ideia, em meados dos anos 2000, ficou em torno de 19% e, um pouco antes, em 1999, chegou a 45%!

Mas agora a situação é diferente, a taxa Selic está em sua mínima histórica e tende a continuar em patamares mais baixos nos próximos anos por causa dos ajustes fiscais e da menor pressão da inflação, uma vez que a retomada da economia ainda está lenta. 

Temos visto muitos investidores perguntando agora o que fazer nesse cenário e em um momento em que diversos títulos do Tesouro estão vencendo ou a vencer.

Segundo consultores entrevistados por nós, o caminho é buscar mais alternativas de investimentos na economia real. 

Vale a pena investir em renda fixa?

Sim. De acordo com os consultores, mesmo com a Selic baixa, a renda fixa tem a sua importância nos portfólios dos investidores conservadores até os mais arrojados. A reserva de emergência e os recursos para objetivos específicos de curto prazo podem ficar nesta classe de ativos. “A alocação de renda fixa pode variar de acordo com os propósitos de vida do investidor, mas é interessante diversificar entre fundos de liquidez, ativos de crédito privado e fundos de debêntures incentivadas”, diz Walter Moreira Neto CFP®, CEO do Overclub, multi family office. 

Aristeu Festa, CEO da AF Financial Advisory, sugere que se houver necessidade de proteção do patrimônio de oscilações intensas no mercado, os investidores podem manter uma parte dos investimentos em títulos com vencimentos próximos às datas em que usarão o dinheiro.  Já os fundos de debêntures incentivadas são recomendados para o médio e longo prazos. “Esses fundos são boas opções porque os spreads aumentaram”, comenta Festa. 

 

É interessante pegar parte do dinheiro dos títulos de renda fixa que estão vencendo e partir para outras alternativas mais arriscadas? 

Em boa parte dos casos, sim. Segundo os consultores, tudo depende do perfil de cada investidor. 

De acordo com Alexandre Amorim CGA, gestor de investimentos da Par Mais, a revisão das carteiras deve ser constante, sempre que houver um recurso novo para investir e isso deve ser feito de acordo com o momento, tanto do investidor como do cenário da economia. 

 

Qual deve ser é a participação ideal de renda fixa nas carteiras, pensando em 2020? 

Conforme os consultores, o ideal é que a parcela de renda fique na faixa de 45% a 60% da carteira, considerando uma média. “A disposição ao risco precisa ser ampliada, sob a pena de comprometer a manutenção do poder de compra nos próximos anos”, ressalta Walter Neto. 

Alexandre Amorim diz que um ponto de atenção é a inflação. “Note-se que a renda fixa está nos menores patamares da história, justamente porque a inflação está baixa. Portanto, levando em conta a taxa real, que é a rentabilidade líquida da inflação, ainda há bons prêmios”, comenta. 

 

Consultores % Renda Fixa na carteira em 2020
AF Financial Advisory Em torno de 60%
Overclub Até 55%
Par Mais Cerca de 75% no caso dos conservadores e de 20%, os arrojados

 

O Big Data SmartBrain indica que os grandes investidores, em média, já estão com suas carteiras mais diversificadas. Em outubro, o estudo mais recente, a presença da renda fixa nos portfólios dos investidores alta renda e private era de cerca de 35%. 

 

O que os investidores não podem deixar de ter nas carteiras no próximo ano?

Não podem deixar de ter ativos mais arriscados, um mix que depende do perfil de cada um. Entre as principais alternativas recomendadas pelos consultores: ações, fundos de ações, fundos multimercado, fundos de investimentos imobiliários (FIIs). Outras opções são fundos de participação (FIPs) e fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). 

“Os investidores devem ter mais renda variável nas carteiras, um padrão de investimento que é comum nas maiores economias”, afirma Alexandre Amorim, gestor de investimentos da Par Mais. Nos Estados Unidos, por exemplo, uma carteira conservadora costuma ter entre 25% a 35% em ações. “Ainda estamos muito longe disso , mas os investidores brasileiros começam a mudar seus perfis”, destaca o consultor. 

Nesse sentido, para Walter Neto, do Overclub, é fundamental o esclarecimento sobre as características dos portfólios com maior oscilação. “Isso é a base para os investidores enfrentarem momentos de turbulência no mercado e seguirem investidos, sem prejudicarem as estratégias. Nesse sentido, os consultores têm papel relevante na educação financeira”, destaca. 

Em termos práticos, ele avalia que as ações e fundos multimercado sempre devem fazer parte de uma carteira, mas na atual conjuntura, com uma presença maior. “Embora seja necessário aumentar a exposição em renda variável em 2020, os investidores não podem ficar com a expectativa de retornos satisfatórios no curto prazo. O aumento dessa classe de ativos prevê rentabilidades maiores nas carteiras no longo prazo”, alerta. 


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Postado por Daniela Rocha Dezembro 10, 2019
Daniela Rocha