Henrique Garcia
por Henrique Garcia em 14 Fevereiro 2019

O que você deve saber sobre COE

Nos últimos tempos, os COEs – Certificados de Operações Estruturadas, invadiram as prateleiras de bancos e corretoras. São muitas as campanhas das instituições financeiras divulgando esses produtos nos sites, redes sociais, jornais, revistas e até na TV.

Mas em vez de se levar facilmente por propagandas ou dicas de amigos, é preciso entender o que são e como funcionam esses produtos. Como disse o megainvestidor Warren Buffett, “Invista naquilo que você entende.”

Existem vários tipos de COEs no mercado. Isso porque o produto é um pacote de estratégias que mescla aplicações de renda fixa e de renda variável, com retornos atrelados a ativos ou índices no Brasil e no exterior como ações, moedas, inflação, fundos de investimentos e ETFs (Exchange Traded Funds), entre outros. O COE é a versão brasileira das chamadas Notas Estruturadas, comuns nos Estados Unidos e Europa. Aqui no Brasil, entre 2014 e 2016, o produto era distribuído somente aos clientes de alta renda. A partir de então, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) liberou a oferta aos investidores em geral.

Por dentro do COE

As vantagens dos COEs são a diversificação, a possibilidade de misturar ativos com potencial de altos retornos da renda variável como as ações ou cotas de ETFs, com ativos de menor volatilidade como a renda fixa. Porém, investidores devem estudar bastante as características desses produtos, que permitem diversas combinações de estratégias e alocação em ativos de outros mercados.

Hoje, já é possível fazer esse investimento  a partir de R$ 2.000, mas são poucos produtos nesta faixa, a maioria das aplicações partem de R$ 5.000. Os prazos variam entre operações mais curtas e aquelas com prazos de dois a cinco anos.

Entre os cuidados necessários para se investir nesta modalidade, avalie a qualidade e a solidez das instituições financeiras emissoras destes COEs.

É fundamental conhecer também os riscos de mercado envolvidos nos ativos escolhidos para montar as operações do produto. Para isso, um assessor de investimentos  poderá ajudá-lo. Ele vai verificar o que tem dentro de cada COE e explicar, principalmente, se os ativos são alinhados com o seu perfil e objetivos. Esse profissional especializado poderá “traduzir” para você tudo o que consta nos Documentos de Informações Essenciais (DIEs) de cada Certificado.  

Além disso, sempre preste atenção ao prazo de vencimento dos COEs, pois em 99% dos casos não permitem o resgate antecipado. Lembre-se também que os COEs não contam com cobertura do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), em situações de possíveis quebras das instituições emissoras. Nesse tipo de investimento, há incidência de Imposto de Renda sobre o lucro, conforme o período da aplicação pela tabela regressiva.

Capital garantido ou em risco

Ao falarmos de riscos, existem duas modalidades de COEs. Na chamada Capital Protegido ou Garantido, o investidor recebe pelo menos o dinheiro aplicado inicialmente. Já na categoria Capital em Risco, o valor investido não é garantido, ou seja, pode haver perdas.  

A maioria dos COEs oferecidos no mercado são de capital protegido. Mas como isso funciona?

Os emissores, bancos ou corretoras, estruturam as operações segundo alguns cenários para os desempenhos dos ativos ou indexadores – ganhos ou perdas que podem ocorrer. Para ficar mais claro, vamos mostrar um exemplo.

COE de um banco global:

Características:

- Exposição à bolsa americana via ETF – Shares Core S&P 500

- capital protegido e renda projetada: taxa de retorno mínima de 19% em 5 anos.

O documento do COE detalha o que acontece em cada cenário de desempenho do ativo – o ETF que segue o índice S&P 500 da bolsa americana. Esse COE pode render de 19% até 119% no período de 5 anos.

Variação % do ativo Performance do COE
-50% 19,00%
-30% 19,00%
-10% 19,00%
0% 19,00%
30% 49,00%
60% 79,00%
80% 99,00%
100% 119,00%

 

 

 

 

 

 

 

Para assegurar o capital inicial investido mais a taxa fixa de 19% ao investidor, a instituição financeira investe uma boa parcela do valor em ativos de renda fixa, cuja rentabilidade é conhecida. Com a outra parte do dinheiro vai para renda variável – neste exemplo o ETF e se a estratégia caminhar bem, o investidor receberá um  percentual da alta do ativo no período e não a alta integral.

É importante saber que o COE utiliza operações com derivativos, como opções de compra ou venda de ações e/ou de contratos futuros, para “travar” ou limitar em determinada faixa de preço as perdas e os ganhos dos ativos de renda variável - neste nosso exemplo, o ETF.

Como você viu, o COE- Certificado de Operação Estruturada, é um produto de investimento bastante complexo. O suporte de um assessor de investimentos é extremamente necessário para você poder desvendar mais facilmente onde é que o COE está colocando seu dinheiro. Conhecendo muito bem todas as condições e as estratégias embutidas neste tipo de aplicação, o COE pode ser uma alternativa de diversificação da sua carteira.

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Postado por Henrique Garcia Fevereiro 14, 2019
Henrique Garcia